Aloysio discursa na cerimônia de transmissão do cargo ao chanceler Ernesto Araújo, no Itamaraty. Crédito: Divulgação

São Paulo – Na cerimônia de transmissão de cargo ao atual chanceler Ernesto Araújo, Aloysio Nunes Ferreira fez um balanço de sua gestão à frente do Itamaraty por quase dois anos. “A política externa assumiu a tarefa de reposicionar o Brasil num mundo assombrado pelo unilateralismo, pelo protecionismo e pela intolerância. Uma ordem internacional com estrutura de poder crescentemente multipolar, porém marcada pela assimetria e por focos de tensão entre potências”.

Para responder a essa conjuntura, contou, “a política externa buscou contribuir para a modernização de nossa inserção na economia mundial; reforçou seu compromisso com a integração, a segurança e a democracia na nossa região; intensificou a diversificação de parcerias; e valorizou o multilateralismo e as decisões negociadas”.

Entre as principais ações, Aloysio Nunes destacou as negociações do Mercosul e a União Europeia, que, apesar das dificuldades, avançaram de maneira inédita. “Passamos a um ímpeto negociador que logrou concluir 12 dos 15 capítulos do acordo. Se mantida a vontade política dos dois lados, são reais as chances de uma associação entre os blocos em futuro próximo”.

O ex-ministro mencionou também o trabalho do Brasil para recuperar a vocação original do bloco para um regionalismo aberto e competitivo. “A ponta de lança da modernização de nossa inserção externa foi o Mercosul, que encontramos em estado de letargia. Removemos ou encaminhamos quase 90% dos 78 entraves que existiam no comércio intrabloco”.

Sobre a Venezuela, lembrou que o país não ficou indiferente à ruptura da ordem democrática ocorrida sob o regime do presidente Nicolás Maduro: “lideramos a aplicação do Protocolo de Ushuaia. Atuamos com firmeza na OEA para ativar a Carta Democrática e criar as condições para o retorno do país à democracia”.

Ele afirmou que o governo brasileiro acolheu os refugiados venezuelanos “porque é um dever moral e uma obrigação internacional”. E manteve canais de interlocução necessários para tratar de desafios concretos, como surtos epidemiológicos, abastecimento energético, segurança na fronteira e bem-estar dos compatriotas que lá vivem.

A respeito da Nicarágua, afirmou que continua a ser fonte de preocupação. “Trata-se de um caso de solapamento da democracia e uso de paramilitares para controle político. Favorecemos na OEA o diálogo e a conciliação”.

Por fim, Aloysio Nunes defendeu o Pacto Global de Migração: “temos de nos preocupar com a defesa da dignidade dos milhões de brasileiros que vivem no exterior, bem como cooperar com outros países para assegurar migrações ordenadas, combater redes de tráfico de pessoas e garantir a segurança de todos”.

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