(Crédito: Divulgação Itamaraty)

Da esquerda para a direita: os chanceleres Jorge Faurie (Argentina), Eladio Loizaga (Paraguai), Aloysio Nunes (Brasil), João Doria (prefeito) e Rodolfo Novoa (Uruguai). (Crédito: Divulgação)

São Paulo – Os quatro países fundadores do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) decidiram, em reunião neste sábado (5), suspender a Venezuela do bloco por ruptura da ordem democrática. O encontro, realizado na Prefeitura de São Paulo, foi convocado pelo governo brasileiro, que ocupa a presidência rotativa da associação.

A decisão foi feita com base no Protocolo de Ushuaia, documento assinado em 1998 pelos estados membros do grupo. A suspensão é a punição máxima prevista no texto. O retorno de Caracas ao Mercosul só ocorrerá quando, a partir do juízo dos países fundadores, a democracia for restabelecida no país.

“Essa declaração é uma declaração política, é um carimbo: ‘aqui não’. No Mercosul, um país que comete tais barbaridades contra as liberdades fundamentais não pode fazer parte da nossa associação”, enfatizou o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira.

No último mês de abril, os quatro fundadores constaram o rompimento da ordem constitucional. Na sequência, o bloco tentou conduzir consultas com o governo venezuelano, mas sem prosperar pela recusa do diálogo por parte do presidente Nicolás Maduro. A opção, portanto, foi avançar rumo à suspensão.

“É uma sanção grave de natureza política”, explicou o chanceler brasileiro. “Hoje nós cumprimos nosso dever. É uma declaração que acrescenta ao isolamento político do Mercosul à Venezuela: ‘parem com isso, chega de mortes, chega de repressão'”, ressaltou.

A Venezuela já estava suspensa do bloco desde dezembro do ano passado. Na ocasião, a punição ocorreu com base na Convenção de Viena pelo não cumprimento de questões comerciais. Ao contrário da nova penalidade, a de 2016 não tem relação com a situação da democracia naquele país.

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